Eu estava curtindo minha semana santa em Teresópolis, em uma casa… Que casa??? Casarão, isso sim! Muito fo&@, casinha é um modo carinhoso de dizer que tinha uma big infra na parada, com piscina, salão de jogos, campos de futebol e de vôlei, salão de dança, academia e rolava até um karaokê, com muita cerva e comida. A felicidade se resumia em um joguinho de cartas com os amigos no fim de uma tarde de sol, mesmo sabendo que todo aquele paraíso estava doidinho para ser explorado. E esse era só um tipo de felicidade, pois existem vários tipos de felicidade: existe a felicidade idiota, a felicidade de espírito, a felicidade descontrolada, assustada, curiosa e a nossa felicidade que era estarrecedora, exuberante e perplexa. Fui convidado para o paraíso por uma nova amiga. Na verdade, ela é a namorada do irmão do namorado da amiga da minha senhora. Era seu aniversário e ela já faz isso há cinco anos, reunindo a maior cabeçada.

Mas, entre boas vibrações, paz, felicidade, reinava também uma dúvida e um grande mistério dentro da minha cabeça. No primeiro contato com outras pessoas, sempre sou meio na minha, pé atrás, arredio e, às vezes, anti-social. Acho que um extraterrestre teria grande dificuldade para fazer contato comigo, não que eu seja uma pessoa difícil de lhe dar, eu às vezes duvido que exista vida em outro planeta. Se fosse um E.T., também viria morar na Terra, essa é a melhor resposta para constantes invasões, mas depois de uma troca de idéias, decido se vou me sentir à vontade ou vou ter enorme repulsa pela criatura.

A grande questão que pairava sobre minha cabeça, exatamente do lado esquerdo, próximo a uma das entradas capilares, é que essa galera toda me chamava pelo meu nome, que ia da moça que fazia o almoço até o churrasqueiro e a arará azul e amarela que ficava solta na árvore. Isso é muito estranho, não só pela arara, mas pelo fato de não conhecer a maior parte da galera, me senti como uma ilha cercada por pessoas. Aí, você me pergunta: “Beto, o que você está querendo dizer com tudo isso? Como elas podem te conhecer e sorrirem para você como se fossem os mais novos amigos de infância? Você sabe como isso aconteceu?”.

Pense no seu site, no seu trabalho e em você. Você diz: “O que eu posso fazer para aparecer, para que as pessoas conheçam os meus trabalhos e saibam que eu sou muito legal e um bom profissional?”. Porque apresentar excelentes trabalhos, ser rico nos detalhes e no acabamento, não faz de você uma pessoa super-requisitada pelo mercado. Você precisa de sorte também e saber das ferramentas para divulgar o seu talento. Pense em e-mail marketing, novas abordagens, seja ousado quando tiver que ser, porque você sabe como deve agir quando estiver dentro, mas e para chegar até ela? O que fazer para se tornar conhecido? Como posso ganhar na mega sena se eu não aposto, como posso saber se aquela garota gosta ou não de mim? E por que eu não sou o novo ídolo do Brasil?

Ah, você quer saber como as pessoas me conheciam na festa que eu fui? A amiga da minha senhora falou que eu era cantor e que abri um show pro Cidade Negra. Na verdade, foi para O Rappa e nem fui eu, foi a minha ex-banda, na Fundição Progresso. Quando as pessoas querem acreditar nas coisas, elas acreditam e ninguém tira isso da cabeça! Por isso, se você não tem uma amiga que venda o seu peixe, bole outros caminhos.